EXPOSIÇÕES

MIGUEL RAMOS

Deixar o pó assentar

Uma série de 16 desenhos meditativos feitos com canetas de traço fino preto ou castanho
sobre papel, criados entre o final de 2018 e o início de 2020.

Este conjunto de obras é resultado de um período de uma grande necessidade de introspecção, de uma vontade de afastamento dos enredos que moldam a vida no nosso dia-a-dia. Porque às vezes importa alcançar um olhar de cima, mais claro e menos apegado.

As obras falam de segredos, sonhos, desejos e utopias, medos e obsessões.

Por vezes as nossas acções mais fervorosas acabam por levantar muito pó nas nossas vidas
e nas vidas de quem nos rodeia. Nesses momentos, há que dar tempo e espaço para a vida costurar as pontas soltas, e deixar a alquimia que apazigua o caos e a confusão em sonho e calmaria, fazer a mágica transformação que acontece durante o pousar de tanta poeira.

JEFFERSON RIB

narrativas analógicas

A colagem é sempre motivada pelo mundo que a cerca. Assim é toda e qualquer manifestação artística. Na colagem, porém, o mundo absorvido se revela em fragmentos e recortes, utilizados como protagonistas da obra. Esta pode colidir imagens de origens e tempos distintos, contradizer suas informações e contextos, em uma nova composição imagética que subverte a originalidade de seus significados. Toda colagem é, portanto, uma (re)visão, é um olhar de novo.

Em Narrativas Analógicas, as quatro séries de colagens manuais passeiam por diferentes temas e estilos. Busca-se, sobretudo, apanhar a pluralidade criativa que a colagem oferece e as diversas formas de uso o papel, ora trazendo o gesto do rasgo, ora buscando o recorte minucioso, quase a fim de inibir a mão do artista, sob um resultado final que sempre poderia ser outro, a depender das imagens disponíveis no ato da criação.

Todas as imagens utilizadas nas colagens foram extraídas de publicações adquiridas em alfarrabistas e feiras de antiguidade.

Série “pequenos seres de um mundo fantástico

“Pequenos seres em um mundo fantástico” utiliza pequenos recortes de figuras humanas em contextos sugeridos pelas cores e rasgo de papéis.

Série “Os Passeios de Botticelli”

“Os passeios de Botticelli” faz uso de reproduções de obras do pintor italiano e as atualiza em cenários gastronómicos.

Série “zerocinco.19”

“zerocinco.19”, realizada durante o primeiro lockdown da Covid-19, em março e abril de 2020, aponta uma trajetória de sentimentos que atravessaram – e ainda atravessam – o mundo no início da pandemia em Portugal; é quase um registro de quarentena, com um “quê” de esforço em entender a situação inédita que vivíamos.

Série “colagem 24 frases por segundo”

“24 frames por segundo” é um breve exercício narrativo, uma tentativa de tensionar a imobilidade da fotografia através da técnica rollage, na qual uma imagem é recortada em tiras e reorganizada de uma nova maneira.

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